Mais um traficante preso por Dick, o cão policial


Jornal da Tarde, 06/06/2002

Um garçom tentava embarcar com 25 quilos de cocaína para o Zimbábue quando foi denunciado pelo faro do animal, em sua sétima apreensão
 
Mais um bom trabalho do cão labrador Dick, que "trabalha" na delegacia da Polícia Federal no Aeroporto de Cumbica, pôs fim à viagem do garçom Ariberto Jorge da Silva, de 34 anos, que tentava embarcar com cerca de 25 quilos de cocaína para o Zimbábue, na África do Sul, anteontem à noite. Essa é a sétima - e a maior - apreensão de drogas feita pelo animal em dois anos de "carreira" na polícia.

 

A última façanha do labrador ocorreu em dezembro do ano passado. Dick conseguiu farejar 18 quilos de cocaína em pasta que estavam na bagagem da comerciante Maria Helena Antunes Gonçalves. Alguns pacotes de café, castanha de caju, pistache e amendoim que a traficante também levava na mala não foram suficientes para enganar o cão.

 

Com essa apreensão, a força-tarefa da Polícia e Receita Federal soma mais de 200 quilos de cocaína apreendidos somente nesse ano. E totaliza 28 pessoas presas.

 

"Em quase um ano de força-tarefa, já conseguimos apreender 610 quilos de pasta de cocaína", disse o delegado Antonio Wagner Gonçalves Castilho.

 

Também foram apreendidos 17 quilos de heroína e 10 mil comprimidos de ecstasy. Ao todo, mais de 50 pessoas acabaram detidas.

 

 
Placas de computador

 

Ariberto contou à polícia que nasceu em Caruaru, Pernambuco, mas morava em São Paulo. Veio para a capital tentar a sorte e estava desempregado há quatro meses. Acabou conhecendo uma pessoa que lhe prometeu dinheiro rápido, fácil e certo. Aceitou a proposta de viajar com a mala carregada de cocaína, frustrada graças à ação do labrador Dick.

 

A viagem para a cidade de Harare, no Zimbábue, estava marcada para as 18h.

 

"Os agentes federais já haviam suspeitado dele por causa do seu nervosismo.

 

O cão foi uma ferramenta que confirmou a suspeita", disse o assessor de imprensa da Polícia Federal, o delegado Gilberto Tadeu.

 

A droga foi encontrada envolta num edredom. O criminoso contou aos agentes federais que havia recebido a mala fechada. Ele pensou que fossem placas de computador em vez de cocaína. Segundo Gilberto Tadeu, no começo do ano, Ariberto já havia viajado para Moçambique.

 

Com o garçom, foram encontrados US$ 1 mil, que a polícia acredita ser parte do pagamento pelo serviço. Ele foi autuado por tráfico internacional de drogas. Se for condenado, poderá pegar entre 3 e 15 anos de prisão.

 


JOSÉ LUÍS DACAUAZILIQUÁ Jornal da Tarde