COMPORTAMENTO - PSICÓLOGO CANINO
| Sexta-feira, 30 de agosto de 2002 - 13h07 |
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Psicólogo
Às vezes, porém, para tornar os relacionamentos mais saudáveis, nada melhor do que uma boa conversa. E é mais ou menos o que Bruno Tausz faz. Na verdade, o etólogo (especialista em comportamento animal, inclusive humano - mas, neste caso, canino) mais observa do que fala. E percebe que raras vezes o problema está no cão.
"Fui à casa de um cliente e vi o cão sentado no sofá e a família toda no chão, assistindo à TV", relata Tausz, proprietário de um canil que leva o seu nome e do Centro de Etologia Canina, no Rio de Janeiro. Ele é ainda juiz de todas as raças, árbitro e presidente do Conselho de Cinologia da Confederação Brasileira de Cinofilia. "As pessoas vão obedecendo ao cão e ele se torna o chefe da matilha, no caso a família com quem vive", ressalta. Tausz explica que o comportamento do animal só mudará quando o dono mudar. "Obedecer é fazer o que não se quer porque alguém quer. O cão não sabe obedecer. É preciso fazê-lo desejar uma ação." Se o dono resolver medir forças com o animal, ressalta o etólogo, perderá seu tempo. "O cão passa o dia inteiro olhando para o dono. Ele tem duzentas vezes mais conhecimento sobre o homem do que o contrário." Cadê o pequinês, o dálmata e o dobermann? Ele era o cão predileto da vovó. Mas anda meio sumido dos antigos sofás. O pequinês, que já teve seus dias de glória no Brasil, hoje é dificilmente encontrado por aqui - especialmente exemplares puros da raça. Mas, do outro lado do mundo, ele continua firme e forte. "Apesar de ser originário da China, é no Japão que se encontram muitos deles", informa Bruno Tausz, etólogo e criador. Extinção, nem pensar.
Raças como o pequinês, doberman, dálmata, rottweiler e pitbull sofrem da síndrome da moda: quase desconhecida no País, a raça tem alguns exemplares importados e, a partir deles, iniciam-se cruzamentos. Por simples ostracismo, má repercussão ou falta de utilidade (o dálmata, por exemplo, é ótimo companheiro, mas péssimo cão-de-guarda), os espécimes começam a ser descartados e esquecidos.
"O problema é que, com esses cruzamentos, muitas vezes com fechamentos consangüíneos, a raça acaba se deteriorando", alerta Tausz. "Quando se traz uma raça nova ao País, ninguém pensa em importar ao menos quatro machos e oito fêmeas de linhagens bem diferentes."
O dobermann, segundo o criador, foi um dos que sofreram as conseqüências de estar na moda. "Ocorreram diversos acasalamentos indesejados e começaram a surgir histórias de cães loucos, com lapsos de memória, que atacavam até o próprio dono." Na segunda onda da raça no Brasil, foram importados exemplares norte-americanos - que, explica Tausz, são muito dóceis, e não servem como cães-de-guarda, perdendo sua utilidade.
"As pessoas têm mania de dizer que uma raça é agressiva
e outra, dócil. Mas, muitas vezes, não é questão de raça, mas de
genética", sustenta o criador. "Para se ter uma idéia, o único cão que não
consegui treinar até hoje foi um labrador (raça conhecida pela
docilidade), criado por uma ótima família. Ele passou quinze dias lutando
contra mim."
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