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SÃO PAULO - Depois de uma batalha que já leva quatro anos e chegou até a ir para os tribunais, a luta da advogada Thays Martinez para obter o direito de ingressar nas estações do Metrô ao lado de seu cão guia Bóris finalmente vai ter um desfecho definitivo.

Bóris, o cão guia que mudou as regras do Metrô de SP 

O treinamento de Bóris foi feito nos EUA e durou 1 ano e meio

Por determinação do governador Geraldo Alckmin, o Metrô irá facilitar o acesso de deficientes visuais, acompanhados de cão-guia, e deixará de exigir credenciamento prévio destas pessoas.

A partir desta segunda-feira, a companhia promete ter todos os funcionários informados sobre as novas regras e fazer, inclusive, comunicados sobre a nova política de acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais, através do sistema de som e de cartazes.

A medida foi tomada após o incidente do último dia 26, quando Thays Martinez, que obteve na justiça sentença que lhe garante o acesso ao Metrô, foi barrada na entrada da estação Vila Madalena. Segundo ela, o funcionário que a abordou disse que ela só poderia entrar com um treinador do lado.

"Se fosse para eu andar do lado de um treinador não precisaria de um cão guia", ironiza a advogada que cansada dos sucessivos constrangimentos, decidiu ingressar uma nova ação contra o Metrô por danos morais.

A advogada afirma, entretanto, que estaria disposta a abrir mão da indenização, caso o governo do Estado e o Metrô se comprometam a fazer uma doação para viabilizar o seu novo projeto: uma escola para cães guia.

"Atualmente só existem 17 cães guias treinados no Brasil e todos foram treinados no exterior", afirma Thays, que passou um ano e meio no Estado de Michigan (EUA) para obter o certificado de adestramento do seu cão. "Nos Estados Unidos, só na escola que eu treinei o Bóris, passam cerca de 300 cães por ano".

Ela acredita que a abertura de uma escola para cães guias no Brasil permitirá que muitos outros dos mais de 1 milhão de deficientes visuais consigam a mesma independência de circulação que ela adquiriu ao lado de Bóris.

Cega desde os quatro anos, após o vírus da cachumba se alojar em sua retina, Thays afirma ter conseguido com o seu labrador Bóris, atualmente com 5 anos e meio, liberdade, segurança e independência que permitem que ela tenha assegurado um dos mais básicos dos direitos constitucionais: o de ir e vir.

É como se Bóris fosse os olhos dela. Ela ajuda na orientação, pára quando percebe algum obstáculo ou mudança de nível e permite que ela se desloque de sua casa, na Vila Madalena, para o trabalho na Avenida Paulista, usando apenas transporte público.

Veja matéria em vídeo e confira o desempenho do cão guia Bóris.