Histórias de Dick, o simpático labrador


Jornal da Tarde, 08/12/2002

O cão da PF participou da apreensão de drogas no Aeroporto de Guarulhos, anteontem. Foi a sexta atuação do cachorro, que trabalha na polícia há um ano

Ele é meigo, está sempre de bom humor e tem uma disposição inabalável para o trabalho. Quanto mais serviço para fazer, mais ele fica feliz. Assim é o agente federal Dick, um simpático cão labrador especialmente treinado pela Polícia Federal para farejar drogas. São 32 cachorros que fazem esse tipo de atividade em todo o País.

Com 2 anos e 9 meses, Dick foi a sensação da apreensão na noite de anteontem no Aeroporto Internacional de São Paulo. Foi a sexta apreensão de drogas na carreira do animal, que está trabalha como farejador há cerca de um ano e meio.

"Ele é maravilhoso. É um animal esperto e muito inteligente", diz o policial federal, Jacques Ferreira de Araújo, de 32 anos, que é guia de cão farejador de entorpecentes.

O policial conta que a apreensão em Guarulhos foi a maior da carreira de Dick em termos de quantidade. Entretanto, ele já trabalhou em missões difíceis. Jaques lembra uma operação realizada em Rondônia onde ele conseguiu detectar seis quilos de drogas enterradas no chão de uma fazenda.

Outro trabalho inusitado de Dick aconteceu em Macapá. Ele conseguiu ser mais esperto que várias quadrilhas que enterravam a droga de maneira diferenciada em diversos pontos de um terreno baldio. "Ele achava um pacotinho e já partia para outra busca", lembra Jacques. Ao final, a quantidade de entorpecente apreendida foi 400 gramas de cocaína e 800 gramas de maconha.

"O volume era pouco mas a droga estava muito bem escondida", afirma.

Para os animais, o trabalho vira brincadeira

De acordo com Jacques, Dick e os demais cães farejadores da Polícia Federal encaram o trabalho como uma brincadeira. Desde de filhotes, os animais são treinados em atividades que associam a brincadeira com o encontro da droga.

Assim, todas as vezes que uma operação vai começar, Jacques pega um pedaço de plástico e joga para o labrador que já associou o cheiro da droga com o brinquedo.

"Então, ele começa a brincadeira de farejar e quando encontra a droga não pára. Ele é incansável", explica o policial.

Dick e Jacques estão trabalhando juntos desde o início da carreira do animal. Eles já participaram de operações em vários Estados. O cachorro sempre viaja de avião no compartimento de cargas. "Mas ele sempre descansa antes de iniciarmos o trabalho".

A amizade entre os dois só tem crescido. "Eu percebo o dia que ele não está bem e vice-versa". O convívio com Dick, incentivou o policial a adquirir um cachorro para ele. "Não tive dúvidas e escolhi um labrador também".

Como Dick é um cachorro de trabalho, o policial não pode ficar com ele fora das atividades. Mas quando o labrador se aposentar dentro de três ou quatro anos, ele já tem um destino certo. "Vou levá-lo para minha casa". Aliás, esse é o final de todas as histórias entre policiais guias e cães.

MARICI CAPITELLI Jornal da Tarde

 

 

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