Segurança aperta o cerco


O Estado de São Paulo, 09/09/2000

Os australianos reforçaram a segurança no aeroporto internacional de Sydney. Estão usando até cães farejadores para revistar as bagagens

Entrar em Sydney pelo aeroporto internacional nestes dias que antecedem os Jogos Olímpicos exige tempo e paciência. Ontem, dois membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) foram barrados sob a alegação de que não tinham visto de entrada, apesar de estarem com credenciais dos Jogos, documento aceito como visto durante a Olimpíada. Um deles seria Gafur Rakhimov, que estaria sendo investigado pelo FBI, a polícia federal americana, por suposto envolvimento com o crime organizado na Rússia. O ministro da Imigração, Phil Ruddock, disse que não se importava com a repercussão do caso porque "a segurança do povo australiano" vinha em primeiro lugar.

Com a proximidade dos Jogos, a segurança do aeroporto vai sendo reforçada.

Atualmente 800 homens trabalham no aeroporto à procura de armas, drogas e produtos de origem agrícola ou animal, cuja entrada é proibida no país.

Ninguém ultrapassa a alfândega sem que sua bagagem seja revistada pelos agentes e passe pelos cães farejadores. "A segurança foi reforçada em 200 homens nos últimos dias, mas isso estava planejado", afirma Leon Bedington, porta-voz do Serviço de Alfândega Australiano.

Incidentes Dois incidentes acenderam a luz vermelha em Sydney esta semana. Sábado passado, seguranças da equipe de Israel tentaram entrar na vila olímpica com revólveres e coletes à prova de bala. Como os agentes israelenses colaboraram com a polícia, o caso foi classificado como um "mal-entendido".

No aeroporto, o técnico de atletismo do Uzbequistão, Sergei Voymov, foi flagrado tentando entrar em Sydney com 15 frascos do hormônio de crescimento HGH. Voymov está sendo investigado e sua credencial olímpica poderá ser cassada. Pela legislação australiana, está sujeito a até cinco anos de prisão.

Os números gigantescos que envolvem uma Olimpíada fizeram com que os australianos se preparassem para uma guerra.

Cães farejadores Vestidos com uma espécie de "uniforme" azul do Australian Protective Service (APS), eles parecem estar brincando entre as malas dos viajantes.

Batizados com nomes como Simon, Akoee e Sunshine, os 24 cães da raça beagle e labrador que "trabalham" no aeroporto de Sydney farejam de drogas a explosivos.

Para a polícia, os cães são valiosa ajuda porque diminuem o tempo gasto com revistas em bagagens.

Em 98 a APS decidiu trocar os pastores alemães pelos cães da raça labrador.

O motivo da troca é a disposição e amabilidade desses cães com os passageiros.

Roberto Bascchera, enviado especial

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